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O Plano


Isso aqui não é um post de dicas de estudo. Não vou te dar um roadmap pra você copiar, nem uma lista de cursos com selo de aprovação. Isso aqui é um registro, pra mim, principalmente. Pra eu poder voltar daqui a um ano, dois anos, e olhar pra trás e saber exatamente por que fiz o que fiz, e com que cara eu tava quando decidi.

Chama-se O Plano. Com maiúscula mesmo, porque é assim que ele existe na minha cabeça desde 1º de agosto de 2026: não é "um plano de estudos", é O Plano, o único, foco total.

O que é, no concreto

O Plano é uma trilha de cinco estágios pela Coursera, rodando de agosto de 2026 a junho de 2027, pra eu me tornar AI/ML Engineer de verdade, não no papel, na prática. NLP e LLM aplicado, visão computacional, deploy de modelo em GPU com Docker e CUDA (coisa que eu nunca fiz na vida), fine-tuning, RAG, agentes. O grosso vem do IBM AI Engineering Professional Certificate (treze cursos, PyTorch, visão computacional, transformers) que entrou no lugar do Advanced Computer Vision with TensorFlow que eu tinha escolhido antes. Trocado porque era mais completo, não porque era mais fácil.

O foco primário d'O Plano é fundamento, não ferramenta. Mas fundamento sozinho não entrega nada, então a trilha também ensina as tecnologias mais usadas do mercado agora, é assim que o PyTorch e os transformers entram, por exemplo. Se em algum momento aparecer algo que substitua bem essa parte de tecnologia específica sem comprometer o fundamento por trás, eu troco sem pensar duas vezes.

Antes disso, em julho, terminei o Advanced NLP with spaCy. Fiz curso de NLP na Udemy. Fui atrás dos fundamentos de novo, porque eu não queria construir isso em cima de buraco.

Por que esse caminho, especificamente

Escolher "estudar IA" é fácil, todo mundo tá estudando IA agora. A pergunta que eu me fiz foi outra: por que esse caminho, com essa ordem, e por que agora.

Primeiro: alinhamento com o que eu já faço. Estou na Sidia, testando automaticamente manual de usuário, e ali dentro eu aplico NLP de verdade, no dia a dia do trabalho. Python é a linguagem que eu uso lá. Então a prioridade que escolhi, NLP/LLM aplicado + Python pra backend, é extensão direta do que já tenho as mãos sujas fazendo. Quero que O Plano e o trabalho se alimentem um do outro, não que sejam duas vidas paralelas.

Segundo: a Coursera. A Sidia me deu acesso ao catálogo completo em julho de 2026, e esse acesso expira em junho de 2027. Isso é o motivo pelo qual a trilha tem prazo. Um certificado bom, reconhecido mundialmente, publicável no LinkedIn, tem peso duplo pra mim: peso público (mercado, reconhecimento) e peso interno (dentro do SITA, na Sidia). Eu não ia deixar uma janela dessas fechar sem ter extraído dela o máximo possível.

Foi por causa desse prazo, aliás, que o boot.dev (que ia zerar todo o fundamento de Python, Linux, SQL e Git antes da trilha Coursera) saiu d'O Plano na forma como eu tinha desenhado originalmente. Doeu cortar, porque eu queria aquele alicerce estendido. Mas fazer as contas foi honesto: não dava pra fazer tudo dentro da janela da Coursera. Então o boot.dev não morreu, ele virou trilha paralela, feita em casa, no meu tempo, enquanto a specialization obrigatória roda no trabalho. Não abri mão do fundamento. Só aceitei que ele não podia mais vir antes.

O tamanho disso

Recebi uma orientação no trabalho, não regra, orientação, de não passar de ~180 horas de curso por ano, algo em torno de 10% da jornada anual. Eu ouvi, respeitei, e decidi que não era o meu limite. O Plano completo, só de Coursera, são 440 horas. Vou estourar o número que mandei pra gestão, e vou deixar isso mais robusto ainda pelo caminho, não menos. Se vou pagar esse preço em horas, quero pagar por inteiro.

Onde estou, agora

Escrevi a primeira versão disso em 17 de agosto. Poucos dias depois já dava pra atualizar uma linha importante: no dia 23, fechei o primeiro selo: a IBM Generative AI for Software Developers Specialization, a mesma que a Sidia tornou obrigatória. Primeira credencial d'O Plano, entregue. E as três primeiras ordens que mandei pra aprovação da gestão (essa, mais a ML Specialization e o ML in Production) já foram aprovadas.

Na prática, boa parte daquele conteúdo eu já sabia: uso IA de verdade em projeto há tempo. O curso serviu mais pra nomear o que eu já fazia no escuro do que pra me ensinar algo novo. Mas o selo importa de outro jeito: é a primeira prova pública de que O Plano saiu do papel.

Em paralelo, entrei numa comparação séria de cursos de DSA (Stanford, deeplearning.ai, Princeton, e o do Augusto Galego, que tá me ajudando bastante agora). Identifiquei a Stanford Algorithms Specialization como o melhor material de DSA que existe na Coursera. E ainda quero puxar a trilha de pesquisa que ando desenvolvendo no trabalho, o artigo, a possível patente, pra dentro dessa mesma estrutura, não como algo separado.

Tem um motivo maior por trás de tudo isso que eu não tinha nomeado direito na primeira versão: pouca gente no meu departamento tem interesse real em pesquisa. É uma porta aberta que quase ninguém está tentando abrir. Eu quero ser a pessoa que abre: quero me destacar no "R" de R&D dentro da Sidia. O Plano é o caminho técnico pra isso. O mestrado no PPGI/UFAM é o próximo desbloqueio, quando chegar a hora.

Por que registrar isso

Porque decisão sem registro vira só sensação depois. Daqui um ano eu quero poder ler isso e saber: eu não caí de paraquedas em IA porque "tava na moda". Eu escolhi um caminho específico, com uma ordem específica, porque ele nascia direto do trabalho que eu já fazia, tinha prazo real fechando uma janela real, e eu estava disposto a pagar o preço de horas que isso custa.

O Plano começou em 1º de agosto de 2026. Termina, na forma como está desenhado hoje, em junho de 2027. O que fica registrado aqui é quem eu decidi ser enquanto eu fazia isso.